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Folha de Pernambuco - PE 06/09/2010 - 11:01 |
Identidade é matéria-prima para João Gilberto Noll
Escritor gaúcho explora o universo juvenil em novo livro, “Anjo das ondas”
Mônica Melo
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| João Gilberto Noll já conquistou um Jabuti com “O cego e a dançarina” |
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A conflituosa busca de identidade norteia o novo título do premiado escritor gaúcho João Gilberto Noll, o romance “Anjo das ondas”, editado pela Scipione. Por isso, talvez, que o universo juvenil constitua terreno fértil a exercer fascínio sobre o autor. Ele, inclusive, assina, pela mesma editora, os títulos juvenis “Sou eu!” e “O nervo da noite”, lançados no ano passado. Ainda que, definitivamente, a corrida por um real sentido para o simples fato de se estar no mundo não esteja circunscrita à fase da adolescência. Antes, estivesse!
Em “Anjo das ondas”, Noll relata a história de Gustavo, adolescente de 15 anos, solitário e em trânsito, no sentido mais amplo do termo. O jovem testemunha as mudanças no corpo e inquietudes e parte de Londres em direção ao ensolarado Rio de Janeiro, na busca pelo reconhecimento de si. O autor constrói um tipo capaz de vislumbrar a independência e a serenidade tão raras à fase adulta, e, com a mesma intensidade, almejar a espontaneidade infantil. Delirante, o protagonista se perde por entre canções, sonhos, fantasias e encara, com dificuldade, a necessidade de aterrissar dessas “viagens” para enfrentar o dia a dia. A descoberta da sexualidade ou o testemunho do muque em crescimento são elementos ordinários do universo adolescente, mas extraordinários sob o olhar poético de Noll.
Pulsa nas entrelinhas de “Anjo das ondas”, sobretudo, a necessidade do indivíduo em se exilar, em se lançar na corrida por algo em falta, como lembra o escritor Marcelino Freire, no texto de apresentação da obra: “Noll sempre nos fala de falta. Noll sempre nos fala de pátria. E exílio. Noll nos recria um país. Feliz, infeliz”. Neste caminho, contudo, o senso mais próximo de identidade alcançado se assenta em bases frágeis, quando o indivíduo é sempre levado a questionar, tal qual o protagonista do livro, finalmente, “É esse o meu lugar?”.
O autor
Ao publicar seu primeiro título, em 1980, “O cego e a dançarina”, João Gilberto Noll conquistou o prêmio Jabuti, o do Instituto Nacional do Livro e o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Ele é autor, ainda, de “A fúria do corpo”, “Bandoleiros”, “A céu aberto”, “Lorde” e “Acenos e Afagos”. Três de suas obras foram adaptadas para o cinema: o conto “Alguma coisa urgentemente” inspirou o filme “Nunca fomos tão felizes”. Já os romances “Harmada” e “Hotel Atlântico” desdobraram-se em filmes homônimos. |